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GP do Japão 2024: curiosidades, circuito e história do Circuito de Suzuka

Pela primeira vez, em 37 anos, a corrida no Leste Asiático será realizada no começo do ano


Escrito por Isadora Guerra


GP do Japão 2024
Suzuka garantiu permanência no calendário da categoria por mais cinco anos. Fonte: Getty Images

A Fórmula 1 realiza o Grande Prêmio do Japão entre os dias 04 e 07 de abril. A corrida no Circuito de Suzuka será de madrugada, às 2h do domingo (horário de Brasília). A organização da F1 mudou a data do GP para fugir da temporada de tufões no Oceano Pacífico. A mudança também fará com que o GP do Japão 2024 seja realizado durante a primavera japonesa. Além disso, o reajuste atende à regionalização buscada pela F1 em seus últimos calendários, com intuito de otimizar a logística e reduzir o impacto ambiental. Será a primeira vez, em 37 anos, que a corrida no Leste Asiático vai ser promovida no começo do ano e não no fim dele, entre setembro e novembro. 


O treino livre 1 ocorre na quinta (04/04), a partir das 23h30. Na sexta (05/04), o TL 2 está marcado para às 3h e o TL 3 para às 23h30. No sábado (06/04) ocorre a classificação a partir das 3h. A largada está marcada para às 2h de domingo (07/04). O Bandsports, Band.com.br e Bandplay transmitem os treinos. Já a classificação também será exibida pela Band. Já a corrida terá transmissão pelos canais já citados, além da Rádio Bandeirantes e da BandNews FM. No streaming, a F1TV exibe todos os eventos do fim de semana.


Vale lembrar que Suzuka garantiu permanência no calendário da categoria por mais cinco anos para receber o GP do Japão. A renovação de contrato foi anunciada ainda em fevereiro de 2024. Ano passado, 222 mil pessoas compareceram ao circuito durante o fim de semana, superando o recorde batido em 2022, que foi 200 mil.


Um pouco de história

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Suzuka permanece praticamente inalterada desde que foi incluída no calendário da F1, em 1987. Fonte: F1

Em 1962, Soichiro Honda, de cuja montadora você já deve ter ouvido falar, era um homem com grandes ambições. Buscando transformar a Honda em uma potência automotiva, ele decidiu que sua empresa deveria ter sua própria pista de testes. O holandês John Hugenholtz aceitou o desafio e desenhou a agora icônica pista “crossover” de Suzuka, embora os desenhos originais mostrassem a pista passando por cima e por baixo de si mesma três vezes, o que não ocorreu.


Oficialmente, o GP do Japão estreou na F1 em 1976 no Circuito de Fuji, que sediou mais uma corrida em 1977 antes de ser substituído por Suzuka (sucedendo 10 anos sem provas no país). A primeira corrida na pista da Honda foi em 1987, em 24 de outubro, mês que voltaria a sediar a etapa em outras 30 vezes. Também já houve três GPs em novembro e três em setembro, incluindo o de 2023.


Estar no fim do calendário permitiu ao Japão sediar decisões de títulos, como em 1976 com Niki Lauda e James Hunt; em 1988, 1989 e 1990 entre Ayrton Senna e Alain Prost; 1998 e 2000 envolvendo Michael Schumacher e Mika Hakkinen; e, mais recentemente, Sebastian Vettel (2011) e Max Verstappen (2022).


O circuito

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Seu desenho em forma de oito é único, desafiando os pilotos. Fonte: f1.com

A pista de alta velocidade continua sendo um dos maiores desafios de direção, com as sinuosas curvas em S e o famoso crossover. Projetada e construída em 1962 pelo holandês John Hugenholz, o Hermann Tilke da época, Suzuka exige tudo dos carros: velocidade em retas, em curvas de todos os tipos, tração, UP, cuidado com os pneus e principalmente aerodinâmica apurada. Seu desenho em forma de oito é único, desafiando os pilotos e fazendo o público delirar. 


A eficiência aerodinâmica é crucial particularmente através das oito curvas que compõem o primeiro setor, na famosa sequência dos Ss, onde todas elas são contornadas a velocidades acima dos 200kph. Importante, Suzuka permanece praticamente inalterada desde que foi incluída no calendário da F1, em 1987. Vale ressaltar que a pista de Suzuka é a única do circuito mundial que metade da etapa acontece no sentido horário e a outra metade no sentido anti-horário.


Tamanho da pista: 5.807km

Número de voltas: 53

Distância total: 307.741km

Curvas: 18

Última pole: 1:28.877 – Max Verstappen (2023)

Recorde de volta (corrida): 1:30.983 – Lewis Hamilton (2019)

Velocidade máxima: 330km/h

Aceleração plena: 65%

Perda de tempo no pit lane: 21s

DRS: 1 zona

DRS 1: detecção depois da curva 15 e ativação na reta dos boxes

Pneus disponíveis: C1 (duros), C2 (médios) e C3 (macios)


Curiosidades

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1976: de um lado, James Hunt, da McLaren. Do outro, Niki Lauda, pela Ferrari. Fonte: Razão Automóvel

O Japão estreou no calendário da Fórmula 1 como palco de uma decisão emblemática. E para entender o episódio, é preciso retornar a temporada de 1976, quando a categoria corria no circuito nipônico de Fuji. De um lado, James Hunt, da McLaren. Do outro, Niki Lauda, pela Ferrari. Ambos sedentos pelo título mundial. Prova disso foi a disposição de Lauda para retornar às pistas 43 dias após quase perder a vida no grave acidente que sofreu no GP da Alemanha. Quando os dois pilotos se encontraram no grande prêmio japonês, o austríaco abandonou a disputa devido aos riscos da tempestade. Diante da desistência do maior adversário na pista, Hunt faturou o título daquele ano por apenas um ponto a mais que Niki Lauda, ao somar 69 contra 68. Isso porque o britânico terminou a corrida em terceiro lugar, atrás de Michael Andretti (Lotus) e Patrick Depailler (Tyrrell).


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Em 1990, no Japão, Senna jogou o carro em cima da Ferrari de Prost e assim foi bicampeão. Fonte: @F1 no Twitter

Outra disputa pelo título decidida no Japão, considerada uma das mais dramáticas da categoria, ocorreu entre companheiros de equipe. Em 1989, na pista de Suzuka, a dupla da McLaren protagonizou um embate tenso ainda na primeira volta quando o pole position, Ayrton Senna, foi superado por Alain Prost. O brasileiro precisava ganhar em Suzuka e na etapa seguinte, na Austrália, para faturar o bicampeonato. Ao se aproximar de Prost, na volta 47 (de 53), em uma disputa lado a lado, o francês atacou ao colidir com a McLaren irmã. Prost abandonou, mas Senna insistiu para continuar. Após ser empurrado por seguranças, passou pela área de escape da chicane e venceu a corrida. Porém, o brasileiro foi desclassificado pelos comissários da prova sob a irregularidade no retorno à pista. Assim, Alain Prost faturou o tri. Mas o troco não demorou. Em 1990, também no Japão, Senna se vingou ao jogar o carro em cima do francês (então na Ferrari) e faturou seu segundo título. 


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Rubinho vence em Suzuka em 2003, comemora com Jean Todt e consagra Schumi com hexa. Fonte: Getty Images

Em 2003, uma nova página foi escrita no mundo do esporte. Suzuka consagrou o primeiro hexacampeão mundial de Fórmula 1: Michael Schumacher. A história da inédita conquista protagonizada pelo alemão da Ferrari superou o pentacampeonato do lendário Juan Manuel Fangio. Logo no ano seguinte, Schumacher superou a própria marca ao faturar o sétimo título, feito igualado apenas por um piloto até o momento: Lewis Hamilton. Mas dessa vez foi diferente. Para Schumacher levantar a taça do hexa, precisou apenas do oitavo lugar na etapa japonesa, já que tinha grande vantagem para a concorrência. O único piloto que poderia tirar a alegria do multicampeão seria Kimi Raikkonen, da McLaren. E isso só não foi possível graças ao companheiro de equipe do alemão, o fiel escudeiro Rubens Barrichello, que além da pole position, venceu a corrida. Ou seja, tirou as chances de Raikkonen e colaborou com Michael na conquista de seu sexto título.


Como foi em 2023

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Norris, Christian Horner, Verstappen e Piastri no pódio do GP do Japão de F1 2023. Fonte: Getty Images

Em 2023, Max Verstappen foi o vencedor da corrida no Japão, que aconteceu em setembro. O triunfo impulsionou a campanha do holandês pelo seu tricampeonato, conquistado na corrida sprint da etapa seguinte, no GP do Catar. Foi, ainda, palco do hexacampeonato de construtores da RBR com seis provas de antecedência. Em 2023, Max liderou todos os treinos livres da etapa e largou da pole position, fazendo ainda a melhor volta da prova e garantindo o ponto extra. 


Já a McLaren conseguiu um pódio duplo com Lando Norris em segundo e Oscar Piastri em terceiro (foi o primeiro pódio da carreira do australiano). Piastri largou de forma inédita na primeira fila, ao lado de Max, mas logo foi superado por Norris. No decorrer da prova, até chegou a ficar na frente do colega, mas não resistiu por muito tempo. Na ocasião, a McLaren conseguiu seu quarto pódio em 2023.


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Em 2023, Suzuka foi palco do hexa de construtores da RBR com seis provas de antecedência. Fonte: Getty Images

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